para o filósofo
antes de te conhecer eu não tinha a mínima ideia do que eu queria. é verdade que eu sentia tremores de prazer e alguns impulsos estranhos, mas sempre me reprimia. saber da tua existência trouxe um renovo diferente. o tipo de sopro que sempre busquei. ainda não sei nomes e não vou etiquetar sentimentos, mas a ideia que me vem é esta: de que passei a existir quando você expirou ar dentro de mim.
sou grata à Vida por este presente. esta sensação ótima de pertencimento a um mundo - um chão - no qual não enraízo. sim é isto. isto é o que eu quero dizer. é como se eu estivesse e não estivesse, mas precisasse de uma mão amorosa pra conduzir-me.
veja, você não é o único, nunca foi e nunca será. o que ocorre, eu sei, cada um que passa deixa seus vestígios e nós os guardamos, usufruímos ou não. cada pessoa deixa algo de si. você, contudo, deixa a si mesmo, pleno, fruto maduro, suculento.
e eu o como!
um caldo escorre pelo vão da boca. me lambuzo de você. e gozo a cada arrepio frio de sua essência em minha pele.
seu olhos são como burcas coloridas soltas num universo paralelo. são estrelas pontudas que me açoitam eroticamente. cada palavra que sai de sua boca vem com sons de guiso, hipnotiza minha língua e entorpece meus sentidos. você sabe o que está fazendo, me conduz pro abismo com a maestria de um deus e a elegância de um bailarino.
não que eu sozinha não saiba conduzir meu próprio corpo, é que antes de fazê-lo me cabe aprender. E aprendo contigo.
sua menininha
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